Primeiro criaram a audição, o poder para ouvir tudo a nosso redor, todo os sons, todos os pormenores mas mais tarde limitaram-no, a algumas frequências, mas para que serviria poder ouvir, se no espaço o som não se propaga? Se os dias são passados no tormento do inaudível, no verdadeiro silêncio?
Então criaram um som, sim, um apenas. Começou tudo por um som. Não é importante qual o som, mas criaram-no. Um som único capaz de se propagar até no espaço, um ultra som, um super som, um som com um tom único. Depressa tudo mudou, já não era tudo triste, já havia algo, havia um som. Mas um só som não era capaz de os satisfazer.
Então criaram mais sons, infinitos sons com diferentes variações, com milhares de tons. Sons, que pareciam dar vida ao Universo. Super sons, ultra sons, que se propagavam no vazio. Depressa o que antes era escuro, ficou com pontos. Chamaram-lhes estrelas, pontos luminosos no céu, sons, todos diferentes.
Um dia, aperceberam-se que, combinando os sons certos, obter-se-ia algo único, uma espécie de continuação ordenada dos sons, uma espécie de sequência. Alguns chamaram-lhe sinfonia, era uma sequência desses sons, de todos os sons, ou seja, de todas as estrelas. Chamaram-lhe, a principio, galáxia.
Mais tarde, descobriram que podia ser feito algo mais para lá de sinfonias, podiam ser feitas coisas mais simples, menos complexas. Chamaram-lhes, a principio, melodias ou canções, na mesma, sequências de sons mas diferentes das sinfonias, não tão complexas. Então mais tarde, chamaram às canções ou melodias, planetas. Cada uma diferente da outra, até originarem a diversidade destes pequenos mundos.
Então, uma destas melodias foi intitulada de Planeta Terra, uma melodia totalmente diferente das outras, onde milhares de notas ganhavam vida própria, onde algo se criava sozinho.
Um dia, alguém deu um nome a esse algo. Juntaram tudo o que até este tinham criado: os sons, as melodias, as canções, as sinfonias, mais tarde os barulhos e ruídos quando estes foram descobertos e a este conjunto chamaram musica, mas mais tarde foi chamado de Universo.
Então os deuses, fartos da monotonia da perfeição, tornaram-se numa espécie chamada humanos, uma espécie em que a perfeição é inatingível e em que o erro é um bom amigo e juntos, viveram e vivem a musica que eles próprios criaram.
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