quinta-feira, 23 de junho de 2011

Com o intuito de estudar as propriedades da paz, juntaram-se num quarto duas pessoas que são o total oposto: um mestre zen que possui uma incrível paz de espírito e um homem, criminoso conceituado, que é considerado o mais problemático de sempre e arranja sempre algum motivo para arranjar discussões. Todos os observadores receavam pela morte do mestre zen, sendo que mesmo à sua frente estava o assassino.
Puseram os dois homens frente a frente, separados por certa de cinco metros de distância, sentados de pernas cruzadas, numa sala completamente branca, sem prenderem o assassino.
O mestre zen, sentado, numa postura firme, fecha os olhos e encontra-se numa paz serena enquanto que o assassino olha para este intrigado. Normalmente, o assassino queixar-se-ia das pessoas olharem para ele mas o mestre zen não olhara para ele uma única vez, logo este teria de inventar um motivo diferente para se meter com o mestre.
- PORQUE NÃO ME FALA? - perguntou o assassino num tom indignado.
Sem abrir os olhos, o mestre zen respondeu:
- Pois não tenho nada de importante para lhe dizer ou sequer perguntar logo o silêncio é a melhor palavra.
Confrontado com tal resposta, o assassino viu que não conseguiria entrar por aqueles caminhos com o mestre logo este tentou outra abordagem:
-PORQUE NÃO ME OLHA?
Mais uma vez, sem abrir os olhos o mestre respondeu:
-Porque já o vira outrora, antes de entrar na sala e não preciso de estar de olhos abertos para saber onde está e como é a sua cara.
Surpreso com a resposta, o assassino ainda quis tentar mais uma abordagem no intuito de conseguir, de facto, uma discussão com o mestre zen.
-PORQUE É QUE NÃO TEM MEDO DE MIM SENDO EU UM ASSASSINO PERIGOSO?
Desta vez, o mestre zen abriu os olhos, sorriu levemente e disse calmamente:
-Pois o que hoje é um assassino, outrora foi um homem levado a cometer algum acto mais inapropriado devido ao medo... à falta de paz. E porque haveria eu de ter medo de um ser humano como eu, apesar de todas as diferenças? - e no fim desta curta resposta o mestre voltou a fechar os olhos.
O assassino, impressionado e sensibilizado com a resposta do mestre, não teve como responder a tal pergunta pois nunca antes alguém tinha dito tais palavras aquele homem, e sendo assim um silêncio instalou-se na sala. Passado uns momentos, o mestre abriu os olhos ligeiramente e viu o assassino numa posição semelhante à sua e com os olhos fechados. Satisfeito, fechou os seus e permaneceram os dois, em paz, naquela sala branca e todos os que pensaram que a paz era inatingível até pelos seres mais perigosos, constataram que isso não passara de uma grande mentira.

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