Hoje decidi que iria tentar dar uma forma a um sentimento, dar-lhe uma cor, um cheiro específico, torna-lo em algo concreto e bem definido. Decidi pegar na dor, dar-lhe a forma de uma gota, pois muitas vezes a dor é vista nas lágrimas que caem, decidi dar-lhe um cheiro, um cheiro que muda, um cheiro entre eucaliptos e humidade, talvez o cheiro típico de uma floresta num dia de chuva. Decidi em dar-lhe uma cor, e seria lógico que a cor fosse o preto, simbolizando o vazio, o profundo do sentimento, como um poço longo, que de tão fundo que é já só se vê escuro. Mas não, a dor não é preta, é azul, um azul melancólico, um azul profundo também, um azul lágrimas (como se este existisse para as outras pessoas), um azul claro, um azul com tonalidades estranhas e únicas, azul, uma cor fria, glaciar, linda, ao contrário da dor mas sabemos bem que as piores coisas estão sempre disfarçadas por um manto maravilhoso, apetecível extraordinário, levando-nos a elas lentamente.
Porque é que é azul? Ora porque é a cor dos meus olhos e é assim que eu a vejo. Eu, e ele, o rapaz de olhos azuis, e para nós é assim que ela é e sempre será: azul.
Inspirado em: O rapaz de olhos azuis.
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